STJ nega recurso, e casal acusado de furtar bilhete premiado da Mega-Sena de R$ 29 milhões em Sinop será julgado em MT

Ex-funcionária de lotérica em Sinop e o marido são acusados de subtrair do cofre o bilhete impresso com defeito que acabou sorteado. Defesa tentou levar caso para o âmbito federal.

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o recurso da defesa e manteve na Justiça Estadual de Mato Grosso o processo contra o casal acusado de furtar um bilhete premiado de R$ 29 milhões da Mega-Sena. O crime ocorreu em uma casa lotérica no município de Sinop. Com a decisão monocrática do ministro Ribeiro Dantas, a ex-atendente da lotérica, Clarice Simon Picoli, e seu marido, Cladecir José Picoli, continuarão respondendo pelo crime de furto qualificado mediante abuso de confiança.

O caso remete ao sorteio do concurso de agosto de 2023, quando um bilhete impresso com defeito acabou sendo um dos quatro vencedores do prêmio principal de R$ 116,2 milhões. A cota em posse da lotérica de Sinop tinha direito exato a R$ 29.058.128,28.

A Dinâmica do Golpe do Bilhete Defeituoso

De acordo com a denúncia formulada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o crime foi arquitetado aproveitando-se do erro mecânico de uma máquina.

    • O erro: A funcionária atendeu uma cliente e imprimiu o bilhete da Mega-Sena, mas o papel saiu com falha de impressão. Ela emitiu um novo bilhete correto e o entregou à cliente.

    • Armazenamento: Conforme as regras da Caixa Econômica, o bilhete imperfeito não foi cancelado a tempo e acabou sendo guardado no cofre da lotérica, passando a integrar o patrimônio financeiro do estabelecimento.

    • A subtração: Câmeras do circuito interno de segurança flagraram o momento em que a funcionária comemorou ao ver as dezenas sorteadas e, em seguida, retirou o bilhete físico de dentro do cofre da empresa.

No dia seguinte ao sorteio, o casal pediu demissão da empresa. Pouco tempo depois, o marido compareceu a uma agência bancária apresentando-se como o legítimo ganhador para tentar resgatar o prêmio milionário.

Decisão do STJ e Competência de Julgamento

A defesa do casal ingressou com um recurso no STJ pleiteando o envio do caso para a Justiça Federal. Os advogados argumentavam que, como os valores do prêmio são de responsabilidade e posse da Caixa Econômica Federal (uma empresa pública federal), haveria interesse da União na causa.

Contudo, o ministro Ribeiro Dantas rejeitou o argumento da defesa. O magistrado esclareceu que a vítima imediata do crime foi a casa lotérica de Sinop — uma pessoa jurídica de direito privado — da qual o papel impresso foi subtraído fisicamente. Para o STJ, a tentativa de saque posterior na agência bancária foi apenas um desdobramento do furto praticado no comércio local, mantendo a competência penal com a comarca de Mato Grosso.

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