Investigada por adotar, torturar e matar gatos volta à prisão em Cuiabá após romper tornozeleira; polícia apura zoofilia

Larissa Karolina Silva Moreira acumulava violações no monitoramento eletrônico; Ministério Público e Polícia Civil investigam abusos sexuais contra os animais.
A estudante universitária Larissa Karolina Silva Moreira, de 29 anos, investigada por adotar gatos em situação de vulnerabilidade para torturá-los e matá-los, voltou a ser presa na capital mato-grossense. A regressão de regime ocorreu após a acusada violar as medidas cautelares e romper, pela segunda vez, a tornozeleira eletrônica que monitorava seus deslocamentos. Além dos crimes de maus-tratos, o caso corre sob o agravante de investigações acerca da prática de zoofilia (abuso sexual de animais).
Larissa havia sido detida inicialmente em junho do ano passado após uma operação da Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema) [primeirapagina.com.br, sinfra.mt.gov.br]. A polícia chegou até a residência da jovem, no bairro Porto, após denúncias de ONGs de proteção animal que estranharam o desaparecimento sistemático de felinos entregues a ela [primeirapagina.com.br, sinfra.mt.gov.br]. No local, peritos encontraram vestígios de sangue e os corpos de três gatos ocultados em uma área de mata nos fundos do imóvel.
Investigação de zoofilia e laudos periciais
Durante o andamento do inquérito, surgiram fortes indícios de que os animais sofriam abusos sexuais antes de serem executados. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) requereu formalmente a quebra do sigilo de aparelhos celulares da acusada e de seu companheiro para buscar mídias ou mensagens que comprovassem as práticas abusivas.
A tese de violência sexual ganhou força após os laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) indicarem lesões severas nos felinos. O exame necroscópico feito em um dos cadáveres constatou extensa lesão na cabeça e lacerações profundas na região perianal, ferimentos classificados como sugestivos de trauma por abuso, além de enforcamento. Protetores locais relataram que a suspeita tinha preferência pela adoção de gatas jovens.
Histórico de violações e rompimento
Após passar pouco mais de um mês em prisão preventiva, Larissa obteve o relaxamento da pena para responder em liberdade provisória sob medidas restritivas, incluindo o recolhimento noturno e o uso de tornozeleira eletrônica. Contudo, o cumprimento foi marcado por reiterações de descumprimento judicial.
O primeiro rompimento físico do lacre do aparelho aconteceu em agosto do ano passado. Posteriormente, a defesa da estudante recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para retirar o dispositivo de vez, alegando que o rastreador agravava crises de ansiedade na jovem e atrapalhava suas oportunidades de emprego. A Primeira Câmara Criminal do TJMT, no entanto, negou o pedido por unanimidade, reforçando a necessidade do monitoramento diante da gravidade e periculosidade das condutas investigadas.
Retorno ao regime fechado
Com a constatação do segundo rompimento físico do aparelho e a consequente perda definitiva de sinal de rastreio, o Juízo das Garantias revogou o benefício da liberdade provisória. Larissa passou a ser considerada foragida e acabou capturada novamente pelas equipes policiais.
Ela segue indiciada por crimes de maus-tratos qualificados contra animais domésticos com resultado de morte, cuja pena pode chegar a 5 anos de reclusão por cada animal. O processo criminal continua tramitando nas varas de Cuiabá e, devido ao descumprimento das ordens, a acusada aguardará o julgamento em regime fechado.

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