Motorista de Land Rover diz que carro atingido estava sem sinalização e nega ter ingerido bebida alcoólica; Justiça mantém prisão

O motorista da Land Rover Discovery envolvida no acidente que matou o menino Gabriel Gustavo dos Santos Fontoura, de 4 anos, em Sorriso, apresentou sua versão sobre a colisão durante depoimento prestado à Polícia Civil. Gabriel Dombski Welter, de 21 anos, afirmou que o Fiat Palio atingido estava “sem sinalização” e negou ter ingerido bebida alcoólica antes do acidente.

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O depoimento foi prestado antes da audiência de custódia que resultou na conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. Gabriel é investigado por homicídio doloso, pela morte da criança, e por duas tentativas de homicídio contra os pais do menino, que ficaram feridos.

Ao relatar o que aconteceu na madrugada de domingo (12), o motorista afirmou que havia saído de casa para dar uma volta, encontrou amigos durante o trajeto e, posteriormente, seguia para casa quando ocorreu a colisão.

“Saí de casa, fui dar uma volta e acabei encontrando com os amigos. Depois fui embora para casa jantar. Eu estava descendo a Avenida Blumenau quando aconteceu o acidente”, declarou.

Questionado sobre a velocidade em que trafegava, Gabriel disse que não se recorda.

“Eu não me lembro a velocidade que eu estava, não me lembro”, afirmou.

Segundo o investigado, o Fiat Palio estaria sem qualquer tipo de sinalização luminosa no momento da manobra.

“Aparentemente o carro estava sem sinalização. Eu não consegui enxergar. Era um lugar bem escuro, tinha uma árvore e foi naquela escuridão que eu não consegui ver. Só me lembro da hora do impacto”, disse.

Gabriel também atribuiu a dificuldade de visualização ao sistema de iluminação de sua Land Rover.

“O meu carro tem um farol de xenônio que não tem aquele foco de luz amarela. Eu só lembro que o carro entrou na minha frente ou freou. Não me recordo exatamente”, afirmou.

Ainda no depoimento, ele disse que acionou imediatamente o socorro após a colisão.

“Eu desci do carro e fui prestar socorro imediatamente. Eu mesmo fiz o contato”, declarou.

Ao ser questionado sobre eventual consumo de bebida alcoólica, Gabriel respondeu de forma objetiva.

“Não.”

Prisão preventiva

Apesar da versão apresentada pelo motorista, a Justiça converteu sua prisão em flagrante em preventiva durante audiência de custódia realizada neste domingo. Na decisão, o magistrado destacou que Gabriel conduzia o veículo mesmo estando com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por determinação do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT).

Segundo o juiz, a suspensão administrativa já havia sido aplicada anteriormente e se mostrou insuficiente para impedir que ele voltasse a dirigir.

“A experiência concreta demonstrada nos autos é a de que as medidas menos gravosas já foram tentadas pelo Estado, na forma da suspensão administrativa, e se mostraram absolutamente ineficazes para coibir a conduta do autuado”, registrou o magistrado.

Documentos do processo mostram que a suspensão da CNH passou a valer em 16 de abril de 2026 e permaneceria vigente até abril de 2027. A penalidade decorreu de uma infração por embriaguez registrada em 2025. Após o acidente, Gabriel recusou-se a realizar o teste do bafômetro. Conforme o boletim de ocorrência, a recusa foi formalizada, porém os policiais informaram que ele não apresentava sinais aparentes de alteração da capacidade psicomotora, razão pela qual não foi lavrado auto de constatação de embriaguez.

O acidente

O acidente aconteceu na madrugada de domingo (12), na Avenida Blumenau, em Sorriso. De acordo com a investigação da Polícia Civil, o Fiat Palio realizava uma manobra para estacionar quando foi atingido violentamente pela Land Rover, que trafegava pela mesma via. Com a força da colisão, o automóvel foi lançado contra um poste e ficou completamente destruído.

No Palio estavam Gabriel Gustavo dos Santos Fontoura, de 4 anos, a mãe, Karine da Silva Santos, e o motorista Rafael Moura de Sousa. A criança sofreu múltiplos traumatismos, foi reanimada e intubada pelas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros, mas morreu após dar entrada no Hospital Regional de Sorriso.

Karine permanece internada em estado grave. Rafael também ficou ferido.

A dinâmica do acidente e as responsabilidades criminais continuam sendo investigadas pela Polícia Civil, com apoio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

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