Governo Trump coloca Brasil em lista de países acusados de ajudar China a driblar tarifas dos EUA
O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de cerca de 40 países apontados como integrantes de rotas utilizadas para redirecionar produtos chineses e evitar tarifas impostas por Washington. A acusação consta em um relatório divulgado nesta quinta-feira (13) pela administração do presidente Donald Trump.
O documento foi intitulado “The Great Transshipment Scam” (“O Grande Esquema do Transbordo”, em tradução livre) e descreve o que os Estados Unidos classificam como uma rede internacional utilizada para mascarar a verdadeira origem de mercadorias chinesas antes da entrada no mercado norte-americano.
Brasil aparece no “Nível 2”
No levantamento norte-americano, os países foram divididos conforme o grau de ligação com as cadeias comerciais chinesas. O Brasil foi colocado no “Nível 2”, definido como de “integração econômica significativa”.
Na mesma categoria aparecem Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã. Segundo o relatório, são países com integração relevante a cadeias de fornecimento, estruturas industriais, sistemas logísticos ou rotas associadas à China.
EUA apontam triangulação de produtos chineses
O chamado “transshipment” ocorre quando uma mercadoria passa por um terceiro país antes de chegar ao destino final. A prática comercial em si não é necessariamente irregular, mas pode ser considerada ilegal quando utilizada para ocultar a verdadeira origem do produto e, dessa maneira, evitar tarifas ou outras restrições.
Segundo o documento norte-americano, os esquemas suspeitos podem envolver alterações em documentos e etiquetas ou etapas mínimas de montagem realizadas em um terceiro país antes que a mercadoria seja encaminhada aos Estados Unidos como se tivesse outra origem.
O relatório também enquadra o Brasil e outros países da América do Sul como possíveis “corredores latino-americanos”, que poderiam ser utilizados para armazenamento, transporte marítimo e etapas de montagem de mercadorias.
Governo Trump promete endurecer fiscalização
A administração norte-americana afirma que pretende intensificar o combate às operações consideradas irregulares. O conselheiro da Casa Branca Peter Navarro informou que cláusulas contra esse tipo de transbordo deverão ser incluídas em acordos comerciais.
O governo dos Estados Unidos estima que operações enquadradas nessa prática movimentem entre US$ 40 bilhões e US$ 75 bilhões por ano. Washington também trabalha no desenvolvimento de ferramentas tecnológicas para identificar possíveis irregularidades nas cadeias de importação.
Acusação ocorre em meio à tensão comercial
A divulgação acontece em um momento de crescente tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. Nesta semana, o governo brasileiro também avançou nos procedimentos relacionados à Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.
A inclusão do Brasil no relatório representa uma acusação formulada pelo governo dos Estados Unidos e não significa, por si só, comprovação de que empresas ou autoridades brasileiras estejam deliberadamente participando de operações ilegais para favorecer produtos chineses.
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