Feminicídios deixam 512 filhos órfãos em Mato Grosso entre 2020 e 2026

A violência contra a mulher deixou uma consequência que vai muito além das vítimas assassinadas em Mato Grosso. Entre 2020 e 2026, 512 filhos perderam as mães em decorrência de feminicídios registrados no estado, segundo levantamento do Observatório Caliandra, plataforma mantida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

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Os dados mostram o impacto dos crimes sobre crianças, adolescentes e demais familiares, que passam a enfrentar consequências emocionais, sociais e financeiras após a morte das mulheres.

Desde que o levantamento começou, em 2020, os números permanecem elevados. Naquele ano, 61 filhos ficaram órfãos. Em 2021, foram 70, enquanto 2022 registrou o maior número da série, com 92 crianças e jovens que perderam as mães.

Em 2023, foram contabilizados 77 órfãos. O número voltou a crescer em 2024, chegando a 87, e alcançou 89 em 2025. Somente em 2026, 36 filhos já perderam as mães vítimas de feminicídio em Mato Grosso.

Crianças podem perder mãe e pai após o crime

O levantamento chama atenção para outra consequência dos feminicídios. Em parte dos casos, o acusado de assassinar a mulher é também pai dos filhos da vítima. Dessa forma, as crianças perdem a mãe e podem ficar simultaneamente afastadas do pai, em razão da prisão ou responsabilização criminal.

Dados da Polícia Civil referentes ao primeiro semestre de 2025 ajudam a dimensionar o problema. Naquele período, 46 filhos perderam as mães em crimes de feminicídio. Entre eles, 22 tinham menos de 12 anos, o equivalente a 48% do total.

Outros 15, ou 33%, eram filhos biológicos do autor do crime. Seis crianças, correspondentes a 13% dos órfãos contabilizados naquele período, presenciaram o assassinato da própria mãe.

Maioria das vítimas era mãe

Ainda conforme os dados referentes ao primeiro semestre de 2025, 81% das mulheres assassinadas eram mães e duas estavam grávidas. A Polícia Civil considera os filhos deixados pelas vítimas como vítimas indiretas dos feminicídios.

Após os crimes, a responsabilidade pelos menores frequentemente passa para avós, tios, irmãos e outros parentes, que precisam assumir inesperadamente os cuidados, a educação e o sustento das crianças.

Violência ocorre principalmente em relações afetivas

Os números do Observatório Caliandra também apontam que uma parcela significativa dos feminicídios acontece dentro de relacionamentos atuais ou já encerrados.

Em 2022, ano que registrou o maior número de filhos órfãos da série, 26 autores eram companheiros das vítimas, cinco eram namorados e quatro eram ex-companheiros. Em 2024, foram registrados 26 companheiros e seis ex-companheiros entre os suspeitos. Já em 2025, foram 22 companheiros e dez ex-companheiros.

Os dados reforçam a dimensão dos impactos provocados pela violência de gênero. Além da morte das mulheres, os feminicídios deixam famílias desestruturadas e centenas de crianças e adolescentes obrigados a reconstruir a vida após perderem as mães.

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