Com mais de 20 mil casos, sequelas da chikungunya provocam onda de afastamento de trabalhadores em MT

CUIABÁ (MT) – O avanço da chikungunya ultrapassou os limites do diagnóstico clínico e se consolidou como um grave problema econômico e de saúde pública em Mato Grosso. Com mais de 20 mil casos registrados, as sequelas prolongadas da infecção viral — especialmente as dores articulares crônicas — têm provocado o afastamento contínuo de profissionais de suas funções, acendendo um alerta no setor produtivo do estado.
Dados de monitoramento apontam que Mato Grosso lidera os índices de dor persistente pós-infecção no país. Diferentemente de outras arboviroses, em que os sintomas desaparecem em poucas semanas, a chikungunya costuma evoluir para um quadro crônico. Quando o desconforto nas articulações persiste por mais de três meses, a condição passa a limitar diretamente atividades básicas, como carregar peso, caminhar ou realizar movimentos repetitivos.

Impacto na produtividade e na economia

De acordo com dados da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), os reflexos do desgaste físico e da perda da capacidade laboral dos trabalhadores geram um impacto profundo na economia. Em âmbito nacional, estima-se que as perdas associadas à incapacidade por dor crônica equivalham a cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
No cenário mato-grossense, os prejuízos atingem diretamente a rotina de lavouras, indústrias e escritórios. Especialistas explicam que o trabalhador acometido por dores crônicas não consegue manter o mesmo rendimento e torna-se mais suscetível a acidentes de trabalho. Em casos extremos e sem o tratamento adequado, a gravidade das sequelas pode culminar em processos de aposentadoria precoce por invalidez.

Isolamento e saúde mental

Além das barreiras físicas, as limitações decorrentes da dor contínua interferem no bem-estar psicológico dos pacientes. Relatos médicos indicam que a impossibilidade de manter a rotina profissional habitual gera:
  • Casos recorrentes de irritabilidade e ansiedade.
  • Distúrbios severos do sono.
  • Episódios de isolamento social devido à perda de mobilidade.

Recomendação de especialistas

Profissionais de saúde alertam que muitos pacientes demoram a buscar ajuda direcionada, postergando a recuperação. A recomendação é procurar uma avaliação com médicos especialistas em dor quando os sintomas forem difusos ou não apresentarem melhora com tratamentos convencionais. Para quem já retornou ao trabalho, a orientação é adotar medidas preventivas durante a jornada, como a realização de pausas para alongamento a cada 60 minutos, visando mitigar o desgaste articular.

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